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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

As Mãos do Meu Pai

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos...

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predilecta,
uma luz parece vir de dentro delas...

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.

E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida — que transcende a própria vida...
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma...

(Mario Quintana)

4 comentários:

Rosario Pedreira disse...

Excelente. Adorei.

Manuel Luis disse...

Uma excelente escolha, e que coincidência! São linhas, são os anos a passar, manchas da experiência, sons da vivência.
Beijos

Manuel Luis disse...

Onde estão as fotos? Manda para aqui.
Bj

Mariazita disse...

Bom dia!
Não sabia que tinhas um blog!!!
Descobri só agora, por acaso, através do Google+.
Publica mais alguma coisa, para eu vir ver :)
Fiz-me tua seguidora e vou incluir o endereço nos meus Favoritos, para não te perder o rumo.
Gostei muito das fotos, assim como dos textos.

Uma boa semana.
Beijinhos
Mariazita

Ah! E se quiseres visitar-me... serás muito bem recebida :)
Mariazita